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O Refúgio de Ronan

Ronan's Escape    

Sem Legenda 16 Minutos CurtasDrama

7.8
IMDB: 7.8/10 93 Votos

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2 wins.

Australia

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Ronan’s Escape de A. J. Carter é uma curta-metragem australiana e um dos mais bem conseguidos trabalhos que vi sobre a sempre tão problemática questão do bullying.

Centrado numa Austrália rural e tendo como base a vida de Ronan (David Lazarus) um jovem de quatorze anos que pelo que depreendemos passa todo o tempo da sua vida a ser vítima dos abusos e maus tratos dos colegas. A inexistência de paz e tranquilidade na vida deste jovem não só o impedem de ter uma juventude e adolescência tranquilas como, principalmente, o fazem refugiar-se em pequenos momentos que só ele sabe apreciar mas que, tal como toda a sua vida, têm de ser apreciados em silêncio para que não lhe sejam retirados.

Pequenos momentos esses que são, infelizmente, também eles sabotados por uma constante violência que é tida e sofrida em silêncio longe dos olhares dos familiares que são, normalmente, os últimos a conhecer esta faceta escondida de tantos jovens e por vezes só quando as consequências se tornam difíceis e duras demais ao ponto de já não poderem ser ocultadas.

Esta excelente curta-metragem que o próprio A. J. Carter escreveu em colaboração com Lukas William Martin, é assim um duro mas honesto retrato sobre a vida deste jovem que apenas conseguiu encontrar a pior solução para poder “escapar” à tortura e humilhação que lhe eram impostas diariamente. A inovação deste trabalho prende-se não tanto com os acontecimentos em si mas na forma como estes são relatados para o espectador. Tradicionalmente temos o filme com discursos e momentos onde as palavras conseguem ser as mais duras armas utilizadas, no entanto aqui o que temos é uma sua ausência quase total para cedermos e nos deixarmos guiar não pela brutalidade dessas mesmas palavras mas sim pelos actos que se sucedem a um ritmo acelerado transformando determinantemente a vida deste jovem.

David Lazarus, o jovem actor, consegue através do seu olhar que transmite uma mágoa e solidão profundas, emocionar o espectador a todo o momento. Não sendo indiferente aos maus tratos de que é vítima, este jovem consegue no entanto demonstrar que os sente mas, ao mesmo tempo, que estes já são uma parte garantida do seu dia-a-dia e que, inevitáveis como são, os encara não com naturalidade mas como uma certeza. Não só vive isolado como também se refugia num mundo próprio, o qual pensamos não poder vir a ser violado, até percebermos que a perseguição de que é alvo não tem qualquer tipo de limite. Todo o sofrimento que o seu “Ronan” sente é transmitida com pequenos olhares e expressões que percebermos já os assumir como “normais”.

A emotiva banda-sonora da autoria de Hamilton Cleverdon que em crescendo nos aproxima do fim escolhido por “Ronan”, bem como a fotografia de David Le May que através dos seus tons neutros não só nos faz abstrair de qualquer detalhe irrelevante como também nos aproxima de uma realidade familiar mais humilde de “Ronan” (que poderá “explicar” a perseguição dos seus colegas) bem como, ao mesmo tempo e o mais importante, aproximar também daquele jovem que esperamos possa ainda vir a encontrar um lugar que lhe transmita a paz que não tem. Infelizmente, é também o detalhe mais importante que nos demonstra qual o seu fim que, por breves momentos resolvemos esquecer mas que bem perto do final nos esclarece sobre o que devemos esperar.

Se uma palavra fôr suficiente para caracterizar um filme que se dedique em particular a este tão sensível e por vezes tão esquecido tema, essa palavra bem poderia ser “magistral”. A. J. Carter tem aqui um trabalho digno de um realizador (e argumentista) de excelência onde demonstra a sua sensibilidade para temas polémicos e importantes para os quais a sociedade fecha ainda os olhos preferindo encará-los como meras “brincadeiras de crianças”.
Este é um importante filme a reter e que poderia ser utilizado em tantas dessas campanhas de sensibilização que optam muitas vezes pela mediatização do tema e não por uma história simples e que conseguiria obter muitos mais resultados práticos. “Two thumbs up!”

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7 Comentários

  1. jai disse:

    Curta belissimo e de uma delicadeza impar!! Traduz de uma forma realista a maldita bullling na adolecencia!!

  2. Serginho disse:

    ….lágrimas………..

    • tato disse:

      muitos se deixam levar pelos vários momentos negros que surgem ou períodos que se mantem assim ,acontece a todo momento ao nosso redor vidas se perdem esperança finda , ausência de amigos verdadeiros culmina assim insistamos em fazem prosperar o amor fazer esse brilho alcançar e aquecer a todos que se sentam oprimidos .

  3. RICHARD disse:

    um estranho no lago, recomendo

  4. Robson Medeiros disse:

    “Quem se identificou com esse curta, levante a mão!” É, eu sim. Sempre houveram momentos em minha adolescência que eu me olhava no espelho e pensava “Por que continuar se nada muda?”. Que criança não gosta de finais de semana, não é? Eu não era diferente, também amava, mas eram por outros motivos: enquanto todos queriam que a sexta-feira chegasse e podessem brincar, visitar amigos, sair com eles e etc., eu esperava todas as sextas-feiras porque eu não precisaria ver todos os meus colegas de classe/escola por 2 dias. Todos os dias eu ia dormir, já pensando em como seria o próximo dia. Eu sempre contava os minutos para que a aula acabasse e sempre contava os segundos para que o outro dia não chegasse.
    Ao contrário de Ronan, eu tive sorte e encontrei alguém que me estendeu a mão e disse “Rob, te amo tanto. Se eu fosse homem, a gente namorava. Mas acho que se eu fosse homem eu seria hétero porque do jeito que gosto de racha, nem reencarnado pra deixar de gostar.”
    Dias horríveis vieram, Tempestades aparentemente inacabáveis e finalmente o verão com dias quentes, aconchegantes e iluminados.

    • Leandro disse:

      Filme belíssimo, não tem como não chorar porque retrata a realidade de muitos, inclusive a minha. Como o amigo aí de cima disse, o Robson, mal via a hora de chegar o fim de semana para se livrar dos malditos colegas de escola. Apesar de sempre amar estudar, porque agregava algo pra minha vida, odiava ir para a escola.
      Também como o protagonista, escreviam “bicha” nos meus cadernos. Certa vez atearam fogo nele no meio do corredor da escola durante o intervalo e eu tive que comprar todo o material de novo, duas vezes. Todos ficaram impunes porque a diretora dizia: “não tem como controlar todos os alunos” para minha mãe, que apesar de não saber pela minha boca que eu sofria, era sensível o suficiente para ver a dor nos meus olhos.
      Hoje eu digo, sem uma família que me amou e me aceitou pelo que sou desde bebezinho (porque sou gay desde sempre) eu já teria me matado há muito tempo. Esse filme resume toda a dureza de ser gay ou diferente na sociedade numa época que não temos nenhuma estrutura psicológica para aguentar isso.
      Mais uma vez, parabéns pelo site maravilhoso. Seu trabalho é ótimo. Beijos

  5. Daniel disse:

    Me identifiquei muito, mas, felizmente aqui estou, vivo!

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